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17 maio, 2007

Das últimas semanas

--- Cinco coisas que Tom Ewing considera que a escrita musical pode/deve fazer:
- Good music writing brings me to the music.
- Good music writing shows me something new in the music.
- Good music writing tries to start conversations, not stop them.
- Good music writing excites me with its insights and ideas.
- Good music writing puts a focus on the listener.
No último parágrafo da coluna, Ewing alude a este post sobre os Cascada (que diz incluir aqueles 5 pontos) e conclui: "So criticism isn't at the brass-rubbing stage quite yet. To fully avoid it, it seems to me as a reader that music critics will have to stop relying on their superior taste and expertise, and start trading on their ideas and the conversations they help spark."

--- Jody Rosen escreve sobre o novo álbum e as implicações da nova direcção sonora e visual de Avril Lavigne, "one of the most influential pop singers of the decade".
Explica que a sua principal inovação foi a nível sonoro, ao renunciar à teenpop ameninada (das dance beats e baladas xaroposas) e encaminhar-se nos refrões desmedidos atirados para cima de guitarras, abrindo caminho às novas meninas de rímel preto: Kelly Clarkson, Ashlee Simpson, Hilary Duff, etc.

«A defining feature of post-Lavigne teenpop is its adult pretensions: The drift from pop into rock signals both attitude and "seriousness," and the songs, accordingly, are full of psychobabble (...) - a teenager's version of mature relationship talk. (...) While indie rockers are busy fetishizing teenybopper music old and new, today's real live teenagers are spending most of their time, as kids will, trying to sound like grown-ups.»

Outro ponto interessante é Lavigne ter-se transformado neste álbum naquilo que detestava (ou declarava detestar, em álbuns anteriores), "barking slogans of prissy entitlement". Na verdade, embora a sua música quisesse então parecer bruta e enraizada no punk e contrapor-se assim ao plástico polido de Britney Spears & co., só o era à superfície. The Matrix, a equipa de produção responsável pelos três primeiros singles de Lavigne, aplica as mesma técnicas de produção polida que Max Martin usa(ra) (além de posteriormente os próprios The Matrix terem trabalhado com a própria Britney Spears...).

--- Num loongo tópico no ILM à volta de Hilary Duff, saltaram várias interrogações relevantes que poderão explicar o interesse de um adulto por algo como a pop adolescente. Uma das hipóteses (até bastante compreensível e óbvia) é a possibilidade de se viver, via música, uma adolescência que nunca se teve (ou, pelo menos, nos moldes que se quereria ter tido). Alex Macpherson aborda o assunto da adolescência atípica pela perspectiva da homossexualidade:

«i've often wondered whether the stereotype of the gays loving the teenpop possibly stems from the way in which teenpop approaches things like love, relationships, crushes, finding personal identity, growing up - sometimes clichéd, sometimes romanticised, sometimes confused. i think to a lot of gay people it might not be as...banal, as it's sometimes accused of being, because obv few gay people (of our age and above, certainly) could have actually had a typical adolescence.»

Tim Finney desenvolve:
«It's a double pincer movement I think: most pop culture representations of adolescence are obsessed with the difference between essences and appearances, so in a funny way most pop culture representations of adolescence tell the story of gay adolescence at one level of remove.
At the same time, the specific content of those representations is not just something we didn't happen to experience, it's stuff we were structurally unable to experience (or, to get the emotional sense of it more accurately, it's stuff we were denied) even if we were in the right time and place for it.»

Alex Macpherson:
«totally agree: i'd say that the obsession is based on the tension between the absolute certainty adolescents have regarding appearances (ie what they "should" be, what is socially acceptable) and the total uncertainty they have over "essences" (ie who they really are - the process of adolescence is after all trying to find this out, and for gays this is magnified)»

Alfred Soto fala dos ecos da natureza histérica da adolescência intrincados na vida adulta:
«As I age and life gets duller, the memorable experiences are actually MORE melodramatic in context, so "Girlfriend," "Wake Up," and "Since U Been Gone" really do become the soundtrack to my life. Call it hyperrealism. (...) Thirtysomethings are pretty smug, generally, and so are the artists we tend to admire; thus, there's something to be said about teens striving for adulthood using the language and manners of eighteen-year-olds.»

--- O jornal australiano Herald Sun questiona Tom Findlay dos Groove Armada acerca de "Song 4 Mutya". Afinal Mutya Buena não sabe a letra de "Hot Thing" de Prince:
Herald Sun: The song says Prince's HOT THING is playing while she's driving and she knows every line. Does she?
Tom Findlay: Ah, no, that's definitely my lyric. I don't think she'd know what that's about.
--- O novo single das manas-californianas-católicas Aly & A.J. é especialmente delicioso pelas pequenas inflexões melódicas da voz quando é afectada por um vocoder, pelas partes em que as vozes baixam o registo e aumentam a velocidade e pela parte em que cantam o titulo da canção de uma forma melodicamente decalcada dos "la-la-la-la-la-la-la-la-la" de "Spice Up Your Life" das Spice Girls.
Aly & AJ - Potential Break Up Song

--- O último tema do disco dos Dragonette é especialmente delicioso devido àqueles diálogos bollywoodescos depois cortados pela vocalista com um suspiroso "ah hah", num ar de diva que encarna perfeitamente, enquanto desfalece para o refrão.
Dragonette - Marvellous

13 maio, 2007

Dos últimos meses: canções

Arrumações/post preguiçoso parte 2:
as canções de 2007 mais ouvidas/estimadas em 2007, até hoje.
Quatro grupos ordenados por ordem decrescente. Organização alfabética em cada grupo.

Avril Lavigne - Girlfriend
Groove Armada - Out of Control (Song 4 Mutya)
Justice - D.A.N.C.E.
Pleasure feat. Heidrun Bjornsdottir - Uptown
Sophie Ellis-Bextor - If You Go

Darren Hayes - Step Into the Light
Dragonette - True Believer
Fall Out Boy - This Ain't a Scene, It's an Arm's Race
Hilary Duff - Dignity + Happy + Never Stop + etc.
LAX Gurlz - Forget You
Mika - Grace Kelly
Mutya Buena - Paperbag (early version)
Rihanna - Shut Up & Drive
Siobhán Donaghy - Goldfish + Don't Give It Up + Medevac
Sophie Ellis-Bextor - Me & My Imagination
Tiffany Evans feat. Ciara - Promise Ring
Timbaland - The Way I Are (feat. Keri Hilson & D.O.E.)

Booty Luv - Shine
Chungking - Slow it Down + Love is Here to Stay + Jeans On
Daddy Yankee feat. Fergie - Impacto
Infernal - I Won't Be Crying + Hey Hello
Kelly Clarkson - Never Again
Mark Ronson - Valerie (feat. Amy Winehouse) + Stop Me (feat. Daniel Merriweather)
Rihanna - Umbrella
Ruff Sqwad feat. Maxwell - From A Place
Sophie Ellis-Bextor - Catch You + New York City Lights

Amerie - Gotta Work
BWO - Save My Pride
Ciara - Like a Boy
Klaxons - Golden Skans
M.I.A. - Boyz
Mary Weiss - Don't Come Back
Mutya Buena - Real Girl
T.I. - Big Shit Poppin'
Timbaland - Come Around (feat. M.I.A.) + One and Only (feat. Fall Out Boy)
Tinchy Stryder - Not Like Me + Mainstream Money + Breakaway
Trey Songz - Wonder Woman
Wiley - Stars + Slippin' + Getalong Gang

09 maio, 2007

Dos últimos meses: álbuns

Os álbuns de 2007 mais estimados/ouvidos em 2007.
A pilha (virtual) de discos por ouvir é possivelmente maior do que a dos discos ouvidos, mas as arrumações começam já.

   

Siobhan Donaghy - Ghosts
Hilary Duff - Dignity
Wiley - Playtime is Over
Robyn - Robyn

Mas também: Timbaland (Shock Value), Mark Ronson (Version), Mary Weiss (Dangerous Game), Roll Deep (Rules and Regulations), Mika (Life in Cartoon Motion), Rich Boy (Rich Boy), etc.

04 maio, 2007

Bodies Without Organs

--- "Save My Pride", o novo single dos BWO, um original dos Alcazar:


--- 2008 talvez será o ano em que os BWO conseguirão entrar no Festival Eurovisão. Se a Polónia os quiser...
No ano passado "Temple of Love" por pouco não foi a canção representante da Suécia (alcançou o 2º. lugar no Melodifestivalen - Carola venceu).

--- Robpop escreveu um ensaio onde reflecte sobre o estado da pop, o site PopJustice, os Bodies Without Organs e o "corpo-sem-órgãos" de Deleuze/Guattari.



Dos últimos dias

--- Dois exemplos recentes de publicidade estampada em música pop: uma marca de cosméticos no vídeo de "Umbrella" de Rihanna e um produto para o cabelo na canção "Style, Attract, Play" de Shocka feat. Honeyshot.

--- Dave Moore disserta sobre cabelo. Mais propriamente sobre a importância e simbolismo que tem na pop feminina: Pink, Kylie, Robyn ("I don't care much about my looks (...) [but] my hair should look good"), Britney a rapar o próprio cabelo, Ashlee Simpson a pintar o seu de cor escura para se contrapor à irmã loira (e agora terem trocado de cor), etc.

--- Com o seu novo disco, Darren Hayes viu-se fascinado por viagens no tempo como um mecanismo de contar histórias. Como tal, resgatou este sintetizador Fairlight CMI de 1983 do eBay, que lhe serviu de musa e inspiração:

Hayes: "My Fairlight CMI - my Time Machine"

Do seu novo álbum, This Delicate Thing We've Made (a sair por Agosto), podem para já ouvir-se dois temas. Ouvidos focados em "Step Into the Light"

--- Um leitor do blog da porto-riquenha Raquel Rivera chama a atenção para o facto de o reggaetón estar a tornar-se racista e (a voltar a estar) cada vez mais sexualmente explícito.
(...) Whereas before artists might have used a code word or some type of other word to maybe dumb-down their true sexualized & demeaning lyrics, artists are now becoming more & more direct, vulgar, & explicit. Even something as simple as going from saying "amor" to "sexo" makes the angle more sexualized for Reggaeton. Not to mention that "perreo" is a term derived from animals & is directly related to sex, so I think Reggaeton comprises a sexual culture to it, that is to say, that to listen & like reggaeton is somewhat naughty or sexual for a female & empowering & dominating for males. (...)
--- "Xtra" dos Ruff Sqwad - o vídeo: